Representantes de cidades banhadas por Furnas protestam contra baixo nível do lago

Representantes de cidades que são banhadas pelo Lago de Furnas se reuniram às margens da usina em São José da Barra (MG) nesta segunda-feira (7) para protestar contra o nível baixo da água. O pedido é para estabelecer uma cota mínima de 762 metros acima do nível do mar, três a menos do que a cota máxima do lago. 

Estudantes, funcionários públicos, representantes de organizações e prefeitos das cidades participaram da manifestação. Para os municípios, esse nível poderia garantir as atividades de uso múltiplo das águas.

"Nós vivemos dois momentos. Quando foi da inundação, que perdemos terras férteis, e agora, depois que nos adaptamos à inundação e fizemos investimentos, todas as cidades fizeram investimentos em hotelaria, gastronomia, e agora nós estamos perdendo esses investimentos que foram feitos", afirma Hideraldo Henrique Silva, presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas.

O lago não atinge a cota máxima de 765 metros desde 2011. Naquele ano, a usina abriu os vertedouros para liberar a água.

Em 2011, a geração média de energia foi de 706 megawats por mês. Já no ano passado, a geração caiu pra uma média de 280 megawats , 62% a menos. E mesmo com a queda na produção de energia, o nível não subiu.

Por isso, políticos e representantes de associações afirmam que Furnas desvia as águas do lago sem informar as cidades que dependem de um nível maior para a realização de diversas atividades.

"Há informações seguras de que se Furnas gerasse energia a plena carga, ela não consumiria mais do que 20% do volume de água do lago. Então a pergunta é para onde foi essa água, se ela não passa pelas turbinas?", diz Djalma Carvalho, prefeito de Cristais (MG).

"Nós temos várias questões que são conjecturadas. Umas delas é que Furnas tem deixado de vender energia para vender água para a hidrovia Tietê-Paraná. Então nós queremos ouvir de Furnas a versão dela. E Furnas o tempo todo recua nesse sentido", diz o deputado estadual Cleiton de Oliveira.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou que nesse domingo (6) o lago estava com 756 metros. Os empresários ainda reclamam que, além de estar mais seco, o lago oscila muito o nível.

"Não é possível fazer uma programação. Hoje o setor não consegue programar, fazer investimentos. Você não tem segurança de tomar um financiamento no banco para investir para os próximos dois, três, cinco, dez anos. Então você não tem uma certeza se vai haver a presença dos turistas devido à falta da água", diz o empresário Sidney Ferreira.

Lago de Furnas em São José da Barra — Foto: Reprodução EPTV

Lago de Furnas em São José da Barra — Foto: Reprodução EPTV

O que diz Furnas

Em nota, a empresa afirmou que o curso de água não está sofrendo desvios e que segue normalmente rio abaixo. Diz ainda que “opera o conjunto das estruturas de geração e transmissão de energia brasileira de forma integrada, com o objetivo de garantir a segurança e a continuidade do suprimento de energia elétrica”.

Leia a nota na íntegra:


É improcedente a informação de que a água do reservatório da UHE Furnas esteja sofrendo algum desvio. A água que sai deste reservatório passa pelas turbinas e segue seu caminho normal rio abaixo. A Agência Nacional de Águas (ANA) implementa a gestão dos recursos hídricos brasileiros, bem como regula e fiscaliza o acesso à agua. No caso das hidrelétricas, a ANA atua juntamente com o Operador Nacional do Sistema (ONS), responsável por planejar e programar a operação das usinas componentes do Sistema Interligado Nacional (SIN). Os níveis dos reservatórios e a energia despachada são programados pelo ONS, que opera o conjunto das estruturas de geração e transmissão de energia brasileira de forma integrada, com o objetivo de garantir a segurança e a continuidade do suprimento de energia elétrica.

Fonte: G1 - Sul de Minas